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IFRS OU SAUDOSISMO ANTIQUADO?

 

Saudosismo antiquado

Por Reginaldo Alexandre*

Negar os avanços das normas internacionais é se prender a um passado pior do que aparenta

U m desígnio enlouquecido animava Dom Quixote em suas andanças pela Mancha: ressuscitar um passado ofuscado e remoto - que talvez nunca tivesse existido -, no qual os aventureiros percorriam o mundo socorrendo os fracos, reparando injustiças e fazendo o bem. É com essa disposição de voltar a uma época que não existe mais que alguns têm visto a aplicação das normas internacionais de contabilidade (os chamados IFRS, na sigla em inglês).

O mundo, porém, segue em frente, exigindo soluções mais complexas e completas e que, ao mesmo tempo, como pretendem esses princípios, atendam a requisitos de transparência e amplo escopo de utilização. Os IFRS já são adotados por mais de uma centena de países. Todo o mundo desenvolvido os usa, com exceção dos Estados Unidos, que, no entanto, poderão abraçá-los em breve. O órgão emissor das normas internacionais, Iasb, e seu similar norte-americano, Fasb, vêm buscando uma convergência entre os dois sistemas.

A crescente inserção do mercado de capitais brasileiro no cenário global impôs a convergência da contabilidade do País à praticada lá fora. Essa adequação se tornou imprescindível, dentre outras razões, para evitar a situação de uma mesma realidade ser expressa por duas representações contábeis (uma conforme regras brasileiras; e outra, de acordo com as norte-americanas ou internacionais), distintas e capazes de causar eventuais erros de interpretação.

Os problemas do padrão anterior não se limitavam à necessidade de conciliar e explicar tais diferenças, estendendo-se a vários outros aspectos. Analistas e outros usuários das demonstrações contábeis nem fluxo de caixa tinham à disposição. Eram obrigados a fazer malabarismos para obter informações por segmento de atividade das companhias, quase sempre sem obter valores confiáveis.

Valor justo era um conceito distante: inexistia a necessidade de averiguação periódica de manutenção da substância econômica dos ativos. Havia também problemas de mensuração de passivos e de reconhecimento de receitas. Tomava-se a forma em detrimento da essência. Grandezas e fluxos fundamentais apareciam descaracterizados nos balanços e nas demonstrações de resultados das companhias.

Esses são apenas uns poucos exemplos de disfunções que nem sempre se evidenciam em razão do olhar indulgente que frequentemente temos em relação ao passado. Há um pouco de Dom Quixote em todos nós. O padrão antigo, formal e baseado em regras, não tinha as características de abrangência, compreensibilidade, confiabilidade e comparabilidade exigidas pela globalização. Essa opacidade das demonstrações contábeis vinha custando caro às empresas brasileiras em suas captações no exterior, pois o preço do dinheiro sempre sobe quando a percepção de risco aumenta.

É melhor se qualificar para o novo padrão e falar uma linguagem que o financiador e o investidor entendam. Não há por que lamentar o glorioso cadáver. Ou adotávamos o novo sistema ou estaríamos na contramão do planeta. Convém agora substituir o saudosismo por uma ação firme na defesa de nossos interesses. As normas internacionais constituem um sistema aberto, baseado em princípios e julgamentos, e estão em constante evolução.

Há muitos aperfeiçoamentos a serem implantados nos próximos anos. O Brasil pode e deve participar ativamente das discussões relativas a essas melhorias, isoladamente ou por meio de uma ação conjunta com outros países da América Latina, o que seria mais apropriado para aumentar o peso das reivindicações.

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