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Estados Unidos e Europa: dois modelos distintos de gerenciamento de crises.

 

A Europa e os Estados Unidos enfrentam crises: a primeira, sérios problemas quanto ao pagamento das dívidas soberanas dos países integrantes da Zona do Euro, com destaque para a Grécia, Portugal, Espanha e Itália - os dois últimos ainda representando incógnitas quanto à gravidade das questões, mas com um inquestionável potencial destrutivo devido à relevância dessas duas economias. 

A Potência do Norte ainda sofre com os impactos da crise financeira de 2008, que forçou o seu governo a estatizar bancos - uma palavra até então proibida nesse país que se considera o palco ideal para a concretização de sonhos individuais. Regulação é algo que tira o sono dos americanos, mas as circunstâncias obrigaram a administração Obama a ampliar seus tentáculos com o intuito de impedir que o pior acontecesse.


Para entender a abordagem de cada um desses players mundiais, que hoje, ironicamente, disputam na mídia internacional o troféu de pior gerenciador de crises - vide o periódico The Economist em várias matérias publicadas nos últimos meses - é preciso analisar algumas peculiaridades desses atores globais no sentido de compreender a situação atual de ambos. 

Os Estados Unidos tem um enfoque mais prático de encontrar soluções de curto prazo, apesar delas agravarem problemas antigos existentes nesse país. A abordagem anticrise consiste em um mix de medidas emergenciais, a exemplo da redução da taxa de juros por prazo indefinido mediante a compra massiva de títulos com o intuito de manter o acesso ao crédito mais atrativo e, especialmente, reduzir os juros atrelados às hipotecas.
 
Essa atitude americana combinada com uma série de incentivos - leia-se gastos governamentais direcionados à educação e a projetos de infraestrutura - fez com que a dívida desse país chegasse próximo do limite do teto de endividamento. Um Congresso esfacelado entre republicanos e democrata levou muita volatilidade aos mercados acionários e incertezas aos produtores e consumidores dos Estados Unidos quanto à possibilidade de criação de um paliativo que empurre o problema fiscal para frente. 

Em outras palavras, a postura americana é de ignorar o problema fiscal decorrente do endividamento desenfreado e interferir consistentemente na economia no sentido de fazê-la funcionar adequadamente - sob o argumento, inclusive, que a recuperação econômica abordará a questão fiscal na medida em que a arrecadação tributária aumentar. Basicamente, a máquina não deve parar de imprimir dinheiro.

A Europa, por outro lado, é mais conservadora e clama por austeridade fiscal em uma região integrada pelo comércio de bens e serviços e desagregada por políticas fiscais e monetárias individuais que impedem uma solução mais direta para o problema das dívidas soberanas. Diferentemente dos americanos, os líderes europeus ignoram a recessão inevitável decorrente do rigor fiscal e não abrem mão de arrumar a casa antes de fazê-la crescer.

Outro aspecto crucial que diferencia o caso americano do europeu é que no primeiro estamos falando do mesmo povo, que compartilha o mesmo território e valores, ou seja, há um sentimento de unidade frente à crise. No caso da Europa estamos falando de países diferentes, com regimes políticos distintos e demandas sociais e econômicas peculiares. Assim, como equacionar tudo isso em medidas consensuais para por fim aos problemas?

As decisões têm sido feitas quase que unilateralmente pela Alemanha, que utiliza seu poder econômico para impor as indesejadas medidas de austeridade fiscal nos países problemáticos. Basicamente, o lema de Angela Merkel é: ou arruma a casa ou não tem ajuda financeira. Porém, a questão é que a disposição da chanceler alemã para continuar oferecendo suporte é a medida do descontentamento dos alemães quanto às suas políticas de salvamento de governos irresponsáveis.
 
Com as eleições na Alemanha se aproximando, é possível que Angela Merkel não tenha mais sustentação política para manter a Grécia na Zona do Euro mediante pacotes de socorro para assegurar o pagamento de suas dívidas. O que tira o sono das autoridades européias é o resultado da saída grega do grupo: uma crise de confiança generalizada que tornaria o rolamento dos saldos devedores de outros países insustentáveis, já que o mercado exigiria juros muito altos para financiar esses governos.
 
Quanto à Europa, além de arrumar a casa impondo medidas de austeridade fiscais que são, sem dúvida, necessárias, é preciso avançar com o projeto União Européia no sentido de unificar as políticas fiscais e monetárias dos países membros com o intuito de evitar problemas futuros e, especialmente, de tornar as soluções para eventuais disfunções mais rápidas e efetivas. Até o momento muito pouco foi realizado nesse sentido.

Em relação aos Estados Unidos, é preciso lembrar aos republicanos e democratas que, independente de suas visões distintas de mundo -  e no contexto atual a maior divergência recai sobre o tamanho do governo - é preciso construir alianças no sentido de evitar que catástrofes econômicas aconteçam. O povo americano decidiu por um presidente democrata e uma Casa dos Representantes republicana: cabe a ambos os partidos emergirem da divergência com um consenso capaz de assegurar a estabilidade econômica. 



Artur Salles Lisboa de Oliveira, profissional com 6 anos de experiência no mercado financeiro e com certificações CPA-20 (Anbima) e ANCORD. 

 
 
 
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