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O Brasil a procura de um líder - Pressão sobre o Congresso Nacional vai determinar ritmo econômico em 2016
 
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O Brasil a procura de um líder

 

Pressão sobre o Congresso Nacional vai determinar ritmo econômico em 2016

 

Relembrando rapidamente a abertura do relatório com as expectativas para 2015 ... “O ano de 2014, assim como seus antecessores, deve ser considerado como exemplo de como não se faz política econômica ...”. Em se tratando do mesmo governo, 2015 não poderia ter sido diferente. Com méritos conseguiu ser pior.

 

Apesar de tudo, tínhamos um homem de mercado como ministro da Fazenda e isso poderia fazer toda a diferença. Enfatizamos pelo título daquele relatório “Independência e poder de execução, frase chave para 2015” como única condição de implementar medidas de ajuste que permitiriam ao Brasil ganhar vigor para crescer, mas ao final de 2015 vimos que realmente o futuro do Brasil não era a preocupação de muitos. O noticiário foi e tem sido muito rico nas atrocidades que foram cometidas com a economia brasileira. O homem de mercado não conseguiu implementar sua proposta e errou no tempo de pedir demissão, pois não entendeu que esse governo busca “ajustes políticos” e não “ajustes econômicos”.

 

Sendo assim, 2016 continuará sendo um ano político e só dependerá deles (políticos), cuja pauta tem, entre outras, eleições municipais, destino de Eduardo Cunha e a presidência da Câmara, processo de impeachment da presidente e envolvimento de políticos na Operação Lava-Jato. O que assistiremos poderá ser o ano mais vergonhoso em termos de “negociatas políticas” e só as urnas nos salvarão, ou realmente termos o exemplo, mesmo que forçado (caso Delcídio), de como a democracia emana do povo.

 

O Brasil precisa de um líder, que retome as rédeas, que traga propostas, que negocie as impopularidades, e faça acontecer, porque senão o melhor é antecipar 2018.

 

Política

Enquanto a autodefesa contra a operação Lava-Jato persistir a política vai cuidar da política.

 

Impeachment

Do jeito que está sendo explorado, não passa.

 

Grau de Investimento

Se encontrarmos nosso Líder em 2016, 5 anos para a reconquista.

 

Atividade Econômica

Tudo travado até que o Congresso Nacional comece a trabalhar para o Brasil.

 

Arrecadação

Queda extremamente pela conjugação de retrações na indústria e no comércio.

 

Contas Públicas

De superávit primário não teremos nada e dívida bruta bate 72% do PIB.

 

Indústria

Responderá aos ajustes de estoques e exportações.

 

Inflação

Inflação inercial, incerteza política, falta de credibilidade e corrupção; tudo vai para os preços.

 

Taxa de câmbio

Alta taxa de juros e oportunidades de negócios minimizam desvalorização do real.

 

Taxa de Juros

Novo ministro, novo ajuste fiscal e nova escapada da inflação reforçam alta.

 

Crédito

Sobe 7% em 2016 por seletividade e por conta da recessão vai de 54% para 55% do PIB.

 

Emprego

Indústria e serviços ainda não se ajustaram proporcionalmente.

 

América Latina

Política e economicamente melhor que o Brasil.

 

Mercados Emergentes

Crescimento retoma, mas chama atenção endividamento, principalmente chinês.

 

Estados Unidos

Ímpeto do crescimento ofuscado pelo cenário internacional.

 

Europa

Muito trabalho do BCE ainda por fazer e consequências políticas a serem observadas.

 

China

Governo vai sustentar crescimento, mas saída de capital pode crescer.

 

Commodities

Soja, açúcar e não ferrosos com melhor sorte.

 

Petróleo

Shale Oil deve entregar os pontos, mas Irã manterá estoques em alta.

 


 

Política

 

O recesso parlamentar volta em 13/2, apesar da gravidade em que se encontra o país. Até lá muita negociação política estará ocorrendo. A presidente tentará recompor sua base aliada, vai tentar trazer de volta os infiéis; o PMDB da Câmara (Michel Temer) e o PMDB do Senado (Renan Calheiros) estarão reavaliando a situação e reconfigurando as forças que procurarão fazer acontecer. No caso específico do PMDB em março ocorre a convenção do partido e aí sim pode ocorrer um racha definitivo ou novo equilíbrio. O PMDB de Renan está mais avariado, atingido pelas ações mais recentes da operação Lava-Jato.

 

É no âmbito político que está nossa solução. É óbvio, pois enquanto a autodefesa contra a operação Lava-Jato persistir “a política vai cuidar da política”. Como disse nosso professor emérito da FEA – USP Delfim Netto “só o político pode salvar o economista”. Não adianta traçarmos um planejamento com os mais óbvios ajustes necessários se não atenderem ao partido do governo, ou ao “curral eleitoral” dos partidos da base, ou se são medidas impopulares. A solução estava posta, mas politicamente incorreta pelas ideologias partidárias em exercício na presidência, no seu partido e sua base aliada.

 

Politicamente falando, no atual estágio em que o país está infelizmente se não houver Dilma Rousseff ou o Partido dos Trabalhadores (PT) não haverá em quem “bater” e o pior seria aguentar essa “turma” de volta à oposição, depois de terem “detonado” o país. Quanto mais enfraquecido e vinculado à operação Lava-Jato estiver o PT, mais chance da oposição em 2018.

 

O impeachment do jeito que está posto não passa. Pela pesquisa Datafolha divulgada em 20/12 faltam 127 votos para aprovar o impeachment e apenas 12 para reprová-lo. Na Câmara há o equivalente a 138 deputados que ainda não se posicionaram e estes devem decidir nosso futuro. Pelo histórico, esses votos devem seguir para o lado que estiver vencendo. Pela projeção do Datafolha Dilma tem 159 votos contra o impeachment e precisa de ao menos 171.

 

Em um eventual governo Michel Temer, caso a presidente renuncie pela pressão, o vice-presidente a meu ver teria mais condições de articulação, pelas próprias posições que já assumiu, mas quer o PSDB junto, o que parece que como coadjuvante não há negócio. O apoio estaria selado se em 2018 o PMDB não lançasse candidatura própria, o que parece impossível com o programa “Uma ponte para o futuro” para a recuperação econômica do país.

 

Esse programa converge ao pensamento dominante dos economistas e tem muitos aspectos que constam também do programa que Armínio Fraga escreveu, além de coincidir com a visão do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy. Não seria uma tarefa fácil a Michel Temer em formalizar uma necessária coalizão, dada a fragmentação partidária com 30 legendas no Congresso.

 

O fato é que a sociedade dá mostras de que aceita sacrifícios para acabar com a paralisia econômica e política, mas com certeza não está disposta a fazer isso com essa presidente ou seu partido, pela sua incapacidade, arrogância e o envolvimento cada vez maior na operação Lava-Jato, além do que já vimos de PT também em todo processo do Mensalão.

 

A campanha eleitoral de 2016 para as prefeituras me parece um fator determinante para os partidos da base aliada repensarem o apoio à presidência, pois ficará evidente onde todos estarão na intenção de votos, perdendo prestígio rapidamente, diferenciando-se apenas aqueles que fizeram uma boa gestão sem ideologia partidária.

 

 

Impeachment

 

A posição do vice presidente Michel Temer sobre o tema é clara, inclusive foi recomendação dada à presidente, de mostrar uma “postura institucional”, uma crítica a tentativa de se polarizar um debate com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, e que responde por quebra de decoro no Conselho de Ética.

 

Acontece que em declarações do ministro da Casa Civil Jaques Wagner, este citou que nosso VP teria dito ... “ele acha que não há lastro para esse processo de impeachment”, o que foi desmentido categoricamente e abortou um pedido palaciano de “condenação formal do pedido de impeachment”, como aconteceu com outras autoridades.

 

Em nosso relatório de 18/12 ... “Agora sim; tudo em casa - Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” enfatizamos ...

 

“Para piorar essa percepção, a questão do impeachment, da forma como está, não resultará em fato consumado, pois está se propagandeando que é “golpe”, sem amparo legal. Mentira. Desrespeito a Lei de Responsabilidade Fiscal. O atual governo foi ambicioso e descaradamente usuário em prol de uma campanha eleitoral. As manifestações “pró” presidente foram mais entusiasmantes que as “contra”, o que é decepcionante, pois sem a força das ruas o Congresso não comprará a tese, mesmo que bem embasada, além do poder do Senado, oficializado pelo STF, de autonomia para decidir se rejeita ou não o processo encaminhado pela Câmara”.

 

 

Grau de Investimento

 

Depois de tantas barbaridades cometidas a nível de responsabilidade fiscal, negociações conturbadas para a efetiva correção e retardo na recuperação econômica, não tinha como não ocorrer a perda do grau de investimento pela Standard & Poor’s, conforme antecipamos em relatório, e pela Fitch. Até fevereiro a Moody’s também rebaixará. Não somos uma Coreia do Sul para reconquistar em 1 ano o selo, mas também não somos uma Colômbia para levarmos 11 anos.

 

O pior é que dado o cenário político conturbado e a recessão econômica prolongada, as “perspectivas negativas” que ainda constam dos ratings após a perda do grau de investimento, trarão novos rebaixamentos dentro do grau Junk, o que será péssimo, acarretando forte ajuste no mercado de dívida, antecipando volatilidade e atraindo investidores com perfil de alto risco. Contudo, a alta taxa de juros no Brasil ainda é um diferencial importante mesmo com o FED subindo os juros.

 

O interessante nesse processo de virar Junk é que as potenciais emissões brasileiras voltam às mãos de investidores com estratégias mais especulativas, que privilegiam papéis de prazos mais curtos e de postura mais oportunista, o que encontra respaldo em gestores amplamente habituados com o Brasil como Blackrock, JP Morgan, Pimco, Aberdeen, Blackstone e Bank of América, que tem carteiras do tipo.

 

Em nosso relatório de 11/9 “Respeitável público - Governo é reativo; espera derrotas para desencadear atitudes (!?)” fizemos as contas ...

 

“Isso implica em aumento do endividamento das empresas e do governo, refletindo mais ainda na percepção de deterioração dos fundamentos econômicos, com o endividamento bruto do governo ultrapassando os 70% já em 2015. O discurso de que a recuperação do grau de investimento é possível fazendo a “lição de casa” é totalmente equivocada e inegociável agora. O governo menosprezou as sinalizações de mercado e continua achando que suas diretrizes e convicções (de Partido) criam condições de retomada da atividade econômica. Façamos as contas : A Coreia do Sul “reconquistou” o Grau de Investimento após 1 ano, a Romênia após 5 anos, o Uruguai após 9 anos, e a Colômbia após 11 anos. Depois de tantos deslizes a boa vontade não certifica, pois perdemos a maturidade. O Brasil precisará de 8 anos, sendo então 3 anos se este governo cumprir com seu mandato, mais 2 anos de um novo governo em linha com as sinalizações de mercado, e mais 3 anos para as contas públicas (superávit, endividamento, etc) atingirem níveis compatíveis com o que “reza a cartilha”. Na condição da antecipação de um novo governo precisaremos de 5 anos. Os CDS (Credit Default Swap) irão dizer”.

 

 

Atividade Econômica

 

A situação está cada vez mais difícil. Parece aquela história do dono da bola : “Ou eu jogo ou não tem jogo”. Dar mais crédito para endividados ou para quem tem medo de perder o emprego não funciona. Medidas “desenvolvimentistas” não funcionam e aqui é que está o risco do novo ministro da Fazenda, pois é mais fácil um ministro “tampão” do que achar um nome que contente politicamente a base aliada neste momento.

 

Tudo começa com propostas na mesa, mas propostas factíveis. Como bem disse Celso Martone, professor de economia da USP ... “Falta iniciativa do governo ... Há urgência do aspecto político, ou impeachment, ou saída honrosa, ou retomar iniciativas, ou mudar ministério ...”. O detalhe é que politicamente estamos travados, porque enquanto a operação Lava-Jato estiver em averiguações e transferindo presos é sinal de que precisa abrir novas vagas para novos indiciados. Enquanto isso, a política vai estar cuidando da política.

 

Ao apresentar retração de 1,7% do PIB no 3º trimestre de 2015 (3T15) em relação ao 2T15 a atividade econômica nacional mostra que serviços e o consumo das famílias, dois componentes bastante ligados à dinâmica da renda e do mercado de trabalho e que vinham resistindo mais a perda de tração da economia, sinalizam uma contração mais forte do PIB nos próximos trimestres. O desempenho dessas duas variáveis renda / emprego, juntamente com os resultados bastante negativos da indústria e dos investimentos deve levar a uma queda acentuada da demanda doméstica, que já chega a 4% em 4 trimestres, a mais intensa da série de início em 1997.

 

A herança estatística, ou o efeito da manutenção dos dados apurados até agora sobre os próximos trimestres já demonstraria uma retração de 1,5% a 2% para o PIB em 2016. Os investimentos medidos pela Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF) no 3T15 diminuíram 4% em relação ao 2T15, numa série inédita de 9 quedas consecutivas.

 

Espera-se para o 1T16 que a absorção doméstica, ou seja, a soma do consumo das famílias, do governo e dos investimentos, mostre retração de 6,5% em relação ao 1T15, contra queda de 5,7% esperada para 2015, retração recorde, minimizada porém pelas exportações líquidas.

 

Como observado ao final de 2015, a Sondagem da Indústria de Transformação da FGV / IBRE apresentou pequena recuperação na confiança e na capacidade utilizada (NUCI) de novembro para dezembro. Por conta de um ano de muitos ajustes, que refletiram em adequar a produção e o quadro de funcionários a retração do consumo, os estoques chegaram ao final do 2º semestre de 2015 (2S15) em níveis mais compatíveis com a realidade, o que acabou tirando um pouco do pessimismo em torno da necessidade de ajustes mais intensos na produção.

 

A expectativa melhorou, de acordo com o indicador de Tendências dos Negócios, já que os empresários consideraram o 2S15 muito ruim e os primeiros meses de 2016 parecem estar na condição de recomposição de estoques, mantendo-se conforme a necessidade básica do comércio varejista. Segundo a Sondagem 11 dos 19 setores acompanhados mostraram consistência na recuperação do indicador, sinalizando pelo menos novos pedidos do comércio.

 

 

Arrecadação

 

Apesar de tudo e de forma insuficiente ainda, algumas medidas de ajustes requeridas pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy foram votadas e, embora a atividade em recessão, a arrecadação terá contribuição integral da reoneração da folha de pagamento, que vai reduzir em R$ 10 bilhões a renúncia tributária. A elevação da tributação de bebidas quentes deve ajudar a alavancar a arrecadação, assim como a cobrança de tributos e multas com a repatriação de recursos no exterior, apesar de que neste caso eu não esteja acreditando que ocorrerão repatriações com tanta “roubalheira e corrupção” neste país.

 

Entre os muitos sinais recessivos que podem ser observados nos dados do PIB do 3º trimestre de 2015 (3T15) chama atenção a queda de 8,3% no indicador de impostos sobre produtos líquidos de subsídios, na comparação com o 3T14, sendo a maior retração trimestral da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. No acumulado de 4 trimestres a queda é de 4,6%.

 

Esse dado reflete a queda de IPI, ICMS e ISS e Imposto de Importação. São impostos que dependem da atividade econômica e tornam o momento atual extremamente grave pela conjugação de retrações na indústria e no comércio. É importante diferenciar o dado do IBGE do desempenho da carga tributária global. O desempenho da arrecadação de impostos sobre a produção só não é pior, no quadro econômico atual, que o dos impostos incidentes sobre lucros.

 

 

Contas Públicas

 

O novo ministro da Fazenda Nelson Barbosa defendeu o regime de metas de inflação, câmbio flutuante e se comprometeu em buscar o superávit fiscal de 0,5% do PIB em 2016, sem abatimento, conforme definido pelo Congresso Nacional, embora defendesse uma banda. Infelizmente em 2016 de superávit não teremos nada, mas sim um déficit de 0,6%, levando a dívida bruta a 72% do PIB.

 

Interessante é que Nelson Barbosa estava no Ministério da Fazenda no primeiro mandato da presidente Dilma, quando se buscou implementar no Brasil a “nova matriz econômica”, que substituiria o tripé em vigor desde 1999, baseado em câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. A “nova matriz” se fundava em juro baixo, política fiscal expansionista, crédito barato de bancos públicos e câmbio desvalorizado.

 

O ministro enfatizou que para a melhora sustentável na situação fiscal do governo será necessário buscar a reforma da Previdência Social, considerado por ele o ponto crítico. Sua equipe tem trabalhado para apresentar no início de 2016 as leis e emendas à Constituição. Em uma segunda oportunidade de reforma o ministro destacou a necessidade de mudar a tributação. Aqui o ministro poderia trabalhar em reduzir as renúncias tributárias, onde há muito espaço.

 

Sobre as contas externas as primeiras projeções para 2016 indicam déficit de US$ 41 bilhões em Conta Corrente, ou 2,66% do PIB, ante os US$ 62 bilhões projetados para 2015, ou 3,48% do PIB. As transações correntes englobam as operações do Brasil com o exterior, no comércio de bens e serviços e nas transferências internacionais de recursos. Para o Investimento Direto no País (IDP) espera-se ingresso de US$ 60 bilhões em 2016, ou 3,9% do PIB, sendo que para 2015 o projetado é de US$ 66 bilhões, ou 3,7% do PIB. Dessa forma o investimento segue cobrindo integralmente a necessidade de financiamento externo do país.

 

Já a Balança Comercial deverá apresentar superávit de US$ 30 bilhões em 2016, um crescimento de 100% sobre a expectativa para 2015, vindo de um déficit de US$ 6,5 bilhões em 2014. O Ministério do Desenvolvimento espera um superávit de US$ 35 bilhões, por conta entre outras razões de recuperação de preços dos grãos exportados, vendas de manufaturados e de automóveis.

 

A remessa de lucros e dividendos deve atingir em 2016 US$ 20 bilhões, repetindo 2015. O pagamento de juros deve consumir outros US$ 20,9 bilhões, ante US$ 21,2 bilhões estimados para 2015. A Balança de Serviços ficará deficitária em US$ 33,4 bilhões em 2016, após outro déficit de US$ 38,7 bilhões em 2015. Destaca-se a conta viagens internacionais com déficit de US$ 9 bilhões, após déficit de US$ 11,7 bilhões em 2015.

 

Os investimentos em carteiras devem apresentar ingresso de US$ 6 bilhões em renda fixa e US$ 6 bilhões em ações, enquanto em 2015 estima-se respectivamente US$ 13 bilhões e US$ 10 bilhões.

 

 

Indústria

 

A atividade industrial em 2016 repercutirá como observado de novembro para dezembro de 2015. Nesse período os estoques caíram, refletindo ajustes de normalização e horas trabalhadas ajustadas à produção. Em função disso, houve uma pequena melhora no ICI (Índice de Confiança da Indústria) calculado pela FGV / IBRE e na TN (Tendências dos Negócios), este em recuperação pelo segundo mês consecutivo. O NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) do setor de Bens de Capital caíram de 68,3% para 66,8% no período, o que implica determinar que antes de qualquer novo investimento, há capacidade a ser utilizada.

 

Vem ao caso, que a taxa de investimento no 3º trimestre de 2015 (3T15) foi de 18,1% do PIB, inferior à do 3T14, de 20,2%, e a menor para o período desde 2007. Sem investimento, o PIB não vai retomar um ciclo de investimento e sem confiança não haverá expansão dos investimentos. Isso nos remete ao apoio formal em 14/12 da FIESP ao pedido de impeachment da presidente, fato inédito na história da entidade, aprovada por unanimidade em reunião conjunta entre conselho de representantes, a diretoria e a cúpula do CIESP, em levantamento realizado junto às indústrias. Ou seja, essa taxa de investimento só cairá, pois só haverá recursos para manutenção.

 

Apesar da desvalorização do real ajudar na produção para exportações, a própria desvalorização irá implicar em despesas financeiras crescentes, face o maior endividamento em dólar das empresas, o que ainda não repercutirá em recuperação industrial em 2016.

 

 

Inflação

 

Há algumas condições que poderiam fazer com que a dinâmica inflacionária arrefecesse como a própria queda do poder de compra da população, a queda real dos rendimentos salariais, o receio do desemprego e o desemprego propriamente dito. Ocorre que estamos num processo de inflação inercial, considerando-se aí não só o passado, mas as condições de incerteza política, falta de credibilidade e corrupção.

 

Pelo Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores da FGV / IBRE a inflação mediana prevista para os próximos 12 meses subiu para 11% em dezembro. Com a alta de 0,9 pontos percentuais (pp) em relação a novembro, as expectativas atingem um novo recorde da série iniciada em setembro de 2005. O resultado reflete uma piora significativa se comparado ao início do ano, com aumento de 3,8 pp das expectativas de inflação em um ano com PIB negativo e alta taxa Selic. Não se espera que a tendência se altere nos próximos meses, mas com o aprofundamento da crise é possível que as expectativas se estabilizem ao longo de 2016.

 

Em dezembro houve pela primeira vez desde março, um descolamento de expectativas entre as diferentes faixas de renda pesquisadas. A faixa de renda mais baixa apresentou elevação bem superior às demais, ao subir de 10,1% em novembro para 11,6% em dezembro. O intervalo entre 10,0% e 12,0% aparece pela primeira vez como o mais citado por 35,5% dos consumidores, contra 26,6% em novembro. A frequência relativa de respostas acima de 12,0% também aumentou, ao passar de 17,0% do total em novembro para 21,3% em dezembro.

Nas contas do Banco Central (BC) o IPCA deve desacelerar e encerrar 2016 em 6,2% e em 2017 em 4,8% pelo seu cenário de referência, que considera taxa básica de juros em 14,25% ao ano e taxa de câmbio de R$ 3,90 e preços administrados de 5,9%, quando o mercado espera 7,5%. A probabilidade do IPCA estourar o teto da meta em 2016 é de 41% e em 2017 é de 20%.

 

Taxa de Câmbio

 

Por incrível que pareça em 2016 não ocorrerá um movimento inesperado na taxa cambial, primeiro porque o mercado já vinha precificando a moeda para perda do grau de investimento por todas as agências de rating, ambiente político e especificamente em função do impeachment deve levar a moeda a valorizar-se pela expectativa de melhor ambiente político e econômico. O ajuste cambial já foi feito em 2015.

 

O atual nível da taxa de juros e as expectativas de níveis maiores devem trazer mais recursos estrangeiros ao Brasil, além das condições de preços favoráveis a aquisições, fusões e mesmo por conta de investimentos em bolsa, minimizando altas mais fortes. Pelas estatísticas da BM&FBovespa em 23/12 o saldo líquido de investimentos estrangeiros em bolsa era de R$ 16,549 bilhões, tendo saído em dezembro até essa data R$ 4,147 bilhões.

 

 

Taxa de Juros

 

Há quem acredite que o Banco Central continuará argumentando que haverá convergência da inflação para o centro da meta, embora em ritmo mais lento e não aumentará a taxa de juros em 2016 e 2017. Se realmente o BC está comprometido em levar a inflação pelo menos na nova banda de 6% esse processo será árduo, imaginem então para o centro da meta, onde o trabalho será mais intenso e está mais evidente, pois a inflação já começou a “escapar” de novo. A mudança do comunicado da ata da ultima reunião do Copom em 2015 deixa clara a mudança de postura.

 

O pior resultado esperado do governo central e a incerteza com o ajuste fiscal, especialmente após a troca da equipe econômica, sustentam a alta da taxa de juros, reflexo em observação nos contratos futuros de vencimentos mais longos, como o DI para janeiro de 2017 em torno de 15,70%, DI para janeiro de 2018 em torno de 16,40% e DI para janeiro de 2021 em torno de 16,49%.

 

Isso nos remete ao nosso relatório de 05/6 “A inflação e os juros a 16%”, quando afirmamos que ...

 

“A determinação do BC é evidente quando afirma que sua política de juros só será revertida quando em seu cenário a inflação apontar para uma reversão certeira para a meta de 4,5%, para 2016. Mesmo com a desaceleração inflacionária que temos assistido, os maiores níveis relativos à 2014 irão pressionar a inflação bem acima da meta. Pelos cálculos a taxa de juros para trazer essa inflação já em 2016 para a meta de 4,5% terá que atingir 16%. Pela nossa realidade não precisa ser expert no assunto que isso significa movimentos de desaceleração mais acentuados na produção industrial, no desemprego, na perda do poder de compra, na propensão a consumir, etc, etc, etc”.

 

 

Crédito

 

A demanda por crédito continuará baixa em 2016 a exemplo do que ocorreu em 2015. A própria preocupação com a taxa de desemprego na questão da pessoa física leva a uma contenção e a uma mínima exposição ao mercado de juros e comprometimento de renda. Já na pessoa jurídica, embora as empresas brasileiras estejam com um nível alto de endividamento, há um rápido ajuste em andamento, via venda de ativos.

 

Importante salientar que apesar do interesse de grandes bancos em participar do financiamento a concessões de infraestrutura, que o governo espera licitar em 2016, falta funding de longo prazo e taxa adequada de retorno para esses processos. O custo de capital ponderado a risco no Brasil está muito elevado, o que não se torna viável nessas condições.

 

Para o Banco Central a carteira de crédito do sistema financeiro deverá crescer 7% em 2015, o menor desde o início da série em 2007, vindo de 9% da projeção anterior e de 12% no início de 2015. Para 2016 a primeira expectativa do BC é de crescimento de 7%. Em percentual do PIB o estoque de crédito deve fechar 2015 em 54% e em 2016, dada mais uma retração da atividade econômica, deve chegar a 55%.

 

 

Emprego

 

Como já temos afirmado e reafirmado os setores econômicos vem se ajustando e não será 2016 um ano de criação de empregos, a não ser aqueles que dimensionaram de forma rápida a produção ao ambiente de consumo e que neste caso precisarão recompor quadros para atendimento apenas de mercado externo ou alguma recuperação momentânea. A taxa de desemprego continuará crescente.

 

Estudos do Banco Central (BC) mostram que, se o que aconteceu na crise financeira de 2008 for utilizado como parâmetro, o ajuste do mercado de trabalho mal começou. Entre 2008 e 2009, apesar da desaceleração forte da economia, as demissões demoraram a acontecer, já que se esperava uma recuperação.

 

Na atual crise, a produção já caiu bem, mas o nível de emprego não se ajustou proporcionalmente, fato demonstrado pelo número de trabalhadores usados para produzir cada bem no 2º trimestre de 2015 (2T15) ainda maior do que no 2T14, o que ocorre também em serviços.

 

Diferente disso, a expectativa do Ministério do Trabalho e Previdência para 2016 é de que haja expansão do crédito e de investimentos, com recuperação de empregos, apontando ainda a confiança do governo no sucesso de investimentos em infraestrutura e setores como construção civil e óleo e gás.

 

 

América Latina

 

Com certeza os países da América Latina estão em uma posição bem melhor do que o Brasil, tanto política quanto economicamente, e devem permanecer nessa situação, exceção feita é claro a Venezuela, que em abril poderá ter plebiscito para a manutenção de Nicolás Maduro no cargo. Diferente do Brasil, apesar da desaceleração observada como um todo, México, Chile, Colômbia e Peru apresentaram no 3º trimestre de 2015 (3T15) crescimentos entre 2,5% e 3% em relação ao 3T14.

 

O México, por exemplo, mantém inflação baixa e consequentemente juros estáveis e além da recuperação americana, tem no consumo interno uma contribuição melhor. A influência negativa da desaceleração chinesa e seus reflexos nas commodities parecem estar bem minimizados nesses países. No Peru destaque para o corte de impostos para famílias de baixa renda, o que tem permitido o consumo aquecido. O investimento nesses países de uma forma geral foi o mais atingido pela crise atual, mas começa a mostrar recuperação especialmente no Chile.

 

Na Argentina a adoção de câmbio único, flutuante e sem limites para operações comerciais, o que proporcionará desvalorização no peso em torno de 30% e impacto inflacionário, permitirá uma recondução do país à retomada econômica, o que neste sentido deverá ajudar o Brasil. Contudo, há trabalho amargo para Maurício Macri fazer e a lua de mel não deve durar muito.

 

 

Mercados Emergentes

 

O crescimento do PIB dos mercados emergentes caiu pelo sexto ano consecutivo em 2015, ano em que os preços das commodities caíram de forma forte e rápida, comprometendo gravemente a atividade em vários países, inclusive o Brasil. Para 2016 muito vai depender das economias desenvolvidas, mas espera-se uma retomada e ascensão da curva de crescimento.

 

Contudo, fragilidades estruturais permanecem firmes, níveis de endividamento crescentes e grande parte vulnerável a um potencial aperto da política monetária dos Estados Unidos, além da desaceleração da China, que nos últimos 10 anos colaborou fortemente para o crescimento desses países.

 

Atenção deve ser dada à dívida das famílias e empresas que, como percentual do PIB, está bem acima de 100%, superior aos níveis observados nos mercados desenvolvidos quando da crise financeira de 2008 / 2009, que torna vários países altamente vulneráveis as altas de juros do FED.

 

Destaque seja dado a China, onde a dívida corporativa chegou a US$ 16,1 trilhões, 160% do PIB, o dobro da americana segundo a Standard & Poor’s. A quem diga que a China pode se revelar um dos elos mais frágeis do mercado emergente em 2016.

 

 

Estados Unidos

 

O crescimento americano em 2015 deve chegar aos 2,5% enquanto em 2016 já se fala em 2,8%. Contudo, possivelmente não será isso dada a fraca demanda internacional, além desse crescimento estar dependendo demais do consumo pessoal. Estimativas para 2016 são de que gasto público e investimento das empresas continuarão fracos.

 

 

O crescimento americano segundo o Livro Bege traz uma avaliação desigual, mas positiva, das condições em todo o país. Os gastos de consumo, o pilar da economia americana, aumentaram em quase todos os distritos. As vendas de veículos leves permaneceram robustas, com baixos preços de combustíveis ajudando a impulsionar as vendas de caminhões leves e veículos maiores.

 

O mercado de moradia e o setor de construção comercial melhoraram, a demanda por empréstimo aumentou e os mercados de trabalho continuam a ficar modestamente mais apertados. Em termos gerais os salários ficaram de estáveis a em elevação, embora alguns distritos tenham reportado pressão em meio a escassez de trabalhadores qualificados. Os preços permanecem basicamente estáveis. Com a economia em recuperação o FED deve encerrar 2016 com a taxa dos Fed Funds entre 1% e 1,25%.

 

 

Europa

 

A tímida recuperação econômica iniciada em 2015 continuará em 2016, mas ainda de forma lenta, já que as ameaças vieram de vários ângulos, como dificuldades de negociar a crise da Grécia, tensão com a Rússia e o aceite cada vez mais crescente de refugiados. Politicamente a ascensão de partidos políticos eurocéticos, ou seja, desconfiantes e descrentes, ameaçaram a coesão interna e a própria União Européia em 2015 e em 2016 esse risco persiste, pois dificultará a formação de maiorias estáveis nos Parlamentos e à formação de governos de coalizão fracos ou instáveis.

 

A nova tentativa do Banco Central Europeu (BCE) de revitalizar a economia da zona do euro não tem sensibilizado os mercados. O BCE continuará seu programa de compra mensal de 60 bilhões de euros em bônus por mais 6 meses, até março de 2017, reduzindo ainda a taxa de depósitos em 10 pontos-base, ao patamar histórico de baixa de -0,30%, assim como irão reinvestir os pagamentos do principal sobre os títulos adquiridos à medida que vencerem.

 

Ou seja, muito trabalho ainda por fazer e consequências políticas a serem observadas. A recuperação europeia continua sendo prejudicada pelo fraco crescimento dos mercados emergentes e pela fraqueza do comércio internacional.

 

 

China

 

Passa por mudanças estruturais em seu modelo de crescimento e essa transição é a maior incerteza macroeconômica que se evidencia para 2016. O governo estabeleceu metas de crescimento de ao menos 6,5% ao ano até 2020, esperando 6,8% para 2016. Acredita-se que o crescimento real será bem menor e está desacelerando mais, o que trará repercussões globais.

 

O Yuan mais fraco tem sido favorecido pelo governo, as exportações vem caindo e o consumo interno ainda não compensa as exportações perdidas e o fim do superciclo de investimentos no país. Não se espera uma brusca desvalorização, mesmo porque empresas chinesas estão muito endividadas em dólar. Isso pode reforçar a saída de capital e gerar atrito comercial e desvalorizações em outros países.

 

Destaque seja dado a dívida corporativa, que chegou a US$ 16,1 trilhões, 160% do PIB, o dobro da americana segundo a Standard & Poor’s. A quem diga que a China pode se revelar um dos elos mais frágeis do mercado emergente em 2016.

 

 

Commodities

 

Agrícolas

 

Se for possível um clima apropriado e a manutenção de um dólar forte, o agronegócio brasileiro continuará com margens garantidas, especificamente em soja. Provavelmente a colheita brasileira de soja alcançará novo recorde na safra 2015 / 2016, apesar dos riscos do El Nino, e uma provável redução de área nos Estados Unidos em 2016 / 2017, por conta de desestímulo pela pressão nos preços vinda de oferta adicional da Argentina e das incertezas de estoques na China. Se isso se confirmar, aumentará área plantada de milho e também pressionará os preços por conta também da valorização do dólar. Diferente disso, o açúcar deve apresentar o primeiro déficit global em 2016, o que trará uma condição de preços melhores.

 

Metálicas

 

A grande capacidade mundial, assim como a desaceleração da atividade em boa parte dos blocos econômicos não mudarão de forma relevante as expectativas para as commodities metálicas em 2016, a exemplo do que ocorreu em 2015. A implementação de fortes ajustes nesse excesso de capacidade, como também o redimensionamento da produção, serão os propulsores dos preços e, de novo, a exemplo do que ocorreu em 2015, como dificuldades climáticas e problemas de infraestrutura em grandes portos importadores, serão os fatores que poderão impactar positivamente os preços, caso contrário, os preços ainda sofrerão ajustes, caso principalmente do minério de ferro. Cortes de capacidade já foram feitos e especificamente em zinco pode haver déficit. No alumínio ajustes já acabaram fora da China, mas país continua elevando capacidade. Pequena retomada na demanda por cobre pode repercutir em recuperação dos preços.

 

 

Petróleo

 

Assim como as commodities metálicas, o mercado de petróleo vive um ambiente de excesso de produção. Ainda assim, guarda uma disputa, uma queda de braço, para ver quem é mais forte, mais resistente aos atuais níveis de preço, em torno de US$ 36 / barril Brent. A OPEP, liderada pela Arábia Saudita, responsável por 40% da produção mundial, querendo testar a resistência de produtores americanos de óleo não convencional (Shale Oil), de custo entre US$ 60 a 80 / barril a partir do fraturamento hidráulico, vem mantendo sua produção e gerando um excedente em mais de 2 milhões de barris diários.

 

A produção do Shale Oil caiu, mas de maneira tímida desde abril. Outro componente dessa equação trata-se do segundo maior produtor da OPEP, o Irã, que deve mais do que dobrar sua produção e ofertar mais 1 milhão de barris / dia, quando forem levantadas as sanções econômicas por conta do acordo sobre seu programa nuclear. Estima-se que o preço pode ir a US$ 30.

 

Por outro lado, países que formam a OPEP como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e até a própria Arábia Saudita tiveram que elevar suas taxas de juros como forma de proteger suas moedas. Contudo, isso não parece ser o maior dos problemas. O custo da Arábia Saudita é de US$ 5 / barril e a produção do Irã virá queiram ou não, inundando mais ainda o mercado em 2016, além da pressão da valorização do dólar sobre os preços.

 

11/01/16



 
 
 

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