BUSCA
FALE CONOSCO
Apimec NacionalApimec Distrito FederalApimec Minas GeraisApimec NordesteApimec Rio de JaneiroApimec São PauloApimec Sul

 
Lucy Sousa presidente da Apimec Nacional fala sobre IPO's em matéria do jornal Valor Econômico
 
« Voltar | Imprimir | Enviar para um amigo

Ofertas "Kinder ovo"
 
Valor Econômico
11/03/2010

 
"Se você não entende os negócios de uma empresa, não compre suas ações". A máxima, do guru dos investimentos Warren Buffett, cabe muito bem para quem pensa em entrar em uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Especialmente em um momento em que companhias com modelos de negócios pouco conhecidos ou de setores ainda não presentes na bolsa estão atrás do dinheiro do investidor. São as chamadas ofertas "Kinder ovo", uma alusão ao ovo de chocolate que traz um pequeno brinquedo dentro. Como os consumidores da guloseima, o investidor vai saber se gosta ou não da surpresa apenas depois de comprar.
 
Encaixam-se no figurino a GRV Solutions, empresa de gerenciamento de risco de crédito, a Renova Energia, dedicada à exploração de energias renováveis, e a Mills, que oferece serviços para obras de infraestrutura. Há também a Multiplus, que gerencia o programa de fidelidade da companhia aérea Tam e estreou na bolsa no mês passado. Analistas apontaram o desconhecimento do negócio como motivo para que as ações da Multiplus saíssem a R$ 16, abaixo do intervalo sugerido, de R$ 18 a R$ 24.
 
Em geral, já é difícil avaliar uma empresa que está abrindo seu capital. Portanto, é preciso ter ainda mais cuidado com setores novos, já que não há referenciais de mercado para chegar ao valor correto do novo negócio. "Não estamos mais em 2007, quando quase todos os papéis subiam na estreia, o investidor agora tem que estudar a empresa", alerta Rodrigo Pasin, consultor V2Finance. Ele lembra que, naquela época, investidores entravam em IPOs de novatas, como construção civil, para vender a ação no primeiro dia de negócios no pregão. Já quem ficou com o papel se submeteu aos trancos que algumas empresas sofreram e que resultaram em um processo de consolidação significativo do setor.
 
O IPO de uma empresa sem similar na bolsa ou com modelo de negócio pouco conhecido é mais arriscado do que o de uma de um setor tradicional, alerta Ricardo Martins, gerente de análise da Planner Corretora.
 
Ele ressalta que os próprios analistas de ações encontram dificuldades ao avaliar essas companhias, o que impede a construção de recomendações mais balizadas. "E os analistas que entendem o negócio não podem dar recomendações públicas", ressalta Martins, em referência às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que proíbem profissionais de corretoras que participam do processo de IPO de dar declarações.
 
A dica é procurar especialistas não ligados à oferta ou conversar privadamente com os analistas. Isso não dispensa, contudo, a leitura minuciosa do prospecto da oferta, tarefa geralmente difícil dada a linguagem técnica e muitas vezes hermética desses documentos.
 
Para Pasin, da V2Finance, uma das alternativas é buscar referências em países onde já há empresas do ramo em questão negociadas em bolsa. No caso da Renova Energia, por exemplo, ele diz que o investidor pode se fiar na experiência de companhias similares em países europeus, como Bélgica e Holanda, ou em divisões de empresas elétricas brasileiras que já operam no setor.
 
Em relação a GRV Solutions, Pasin lembra que a área de gerenciamento de risco de crédito é muito desenvolvida nos Estados Unidos, embora o país tenha sofrido com o excesso de endividamento, fruto da concessão desbragada de empréstimos. Ele vê a Mills como um investimento atraente, dadas as altas margens do negócio e as perspectivas positivas para o setor de construção.
 
Segundo os analistas, um dos primeiros passos é encontrar múltiplos como preço sobre lucro (P/L, que dá uma ideia de quantos anos deve demorar para o investidor ter de volta o quanto aplicou) e compará-los com os de empresas do mesmo setor em outros países.
 
Mas a comparação de múltiplos não livra os investidores de surpresas desagradáveis. O gestor da Schroders Brasil, Marcos De Callis, lembra que, muitas vezes, a falta de conhecimento provoca distorções nos preços das ações, geralmente contra o investidor e a favor da empresa. "Se fosse o contrário, dificilmente a companhia estaria abrindo o capital e vendendo parte de suas ações", afirma.
 
A estrategista-chefe da Ativa Corretora, Mônica Araújo, também recomenda cautela com a análise baseada apenas em múltiplos. "Essa análise é importante, mas não suficiente para uma recomendação", diz.
 
Uma avaliação mais acurada de uma empresa depende do conhecimento aprofundado dos indicadores operacionais da companhia e da dinâmica do setor, algo que só vem com o tempo, afirma Lucy Sousa, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). "É um desafio também para os analistas", ressalta.
 
Apesar das dificuldades, o investidor não pode se dar ao luxo de não analisar as novas companhias, ressalta o superintendente de renda variável do banco Itaú Unibanco, Walter Mendes. "Você corre o risco de não comprar um bom papel por um preço atraente só por não querer olhar algo novo", afirma.
 
Um bom exemplo, segundo Mendes, é a Dufry, empresa de comércio em aeroportos. "É uma companhia diferente, com sede nas Bermudas, de um setor que ainda não estava na bolsa; os investidores estavam receosos", lembra o superintendente. "Nós analisamos e investimos, o resultado foi ótimo", diz. Desde o IPO, as ações preferenciais (PN, sem voto) da Dufry acumulam valorização de 48,31% ante 60,54% do Índice Bovespa desde dezembro de 2006.
 
Por Antonio Perez e Daniele Camba, de São Paulo
 
 
 
 
Envie para um amigo
» Nome do destinatário » E-mail do destinatário
» Seu nome » Seu E-Mail
» Comentário  
 

·· Palavra da Presidência
 
 
·· Eventos

» Próximos Eventos
 
 
·· Parceiros

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

 
 
·· REPRESENTAÇÕES

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

 
 
RIWEB
©2009 Apimec