Portal Infomoney
13/08/2009
Entrevista: Apimec tira
dúvidas sobre o certificado de analista técnico
Com a Bolsa
ganhando popularidade entre os brasileiros desde 2003, as análises técnicas e
fundamentalistas deixaram o seleto mundo das equipes de research das corretoras
para adentrar na vida diária dos investidores, através, principalmente, das
facilidades da internet.
A invenção do Home Broker em 1999 e o sistema de
negociação da BM&F em 2004, batizado de WebTrading, já denunciavam o futuro
das operações no mercado de ações brasileiro, que aos poucos foi aposentando os
operadores viva-voz até sua extinção definitiva em junho deste ano.
Em
consonância com a modernização das plataformas de negociação, os meios de
comunicação espalhados pela rede foram recrutando mais adeptos. Sites, blogs e
chats tornaram-se ferramenta importante de informação dos investidores, por onde
acompanham as principais notícias do mundo e garimpam oportunidades de
investimentos.
Aparentemente inocente, essa atividade de recomendação de
compra e venda por parte dos "analistas on-line" somente é autorizada caso sejam
profissionais credenciados pela Apimec (Associação dos
Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) e
registrados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). E pelo o histórico atual,
a realidade é bem diferente do recomendado pelos órgãos competentes.
Por
que o certificado?
Em 2006, quando o Ibovespa subiu cerca de 40%, além da
explosão de volume na bolsa, cresceu exponencialmente a procura por cursos de
análise técnica, com inúmeros investidores em busca de um norte para
investir.
A partir daí, conceitos como resistência, suporte, IFR e
Fibonacci ficaram cada vez mais comuns no linguajar dos brasileiros,
disseminado, principalmente, pelos blogs e sites difundidos pela
internet.
O movimento chamou a atenção dos órgãos reguladores, tanto que
em 26 de junho deste ano a CVM lançou um ofício reiterando a obrigação de se ter
um certificado para elaborar e divulgar recomendações.
Em prol da
qualidade técnica, acima das meras análises técnicas, Lucy Souza, presidente da
Apimec Nacional, em entrevista à InfoMoney, responde a questão central do
tópico, esclarece como será o certificado para os analistas técnicos e clama
pela integração entre análise técnica e fundamentalista.
Confira:
InfoMoney - Por que a necessidade de certificar os analistas
técnicos neste momento? Aumento de popularidade?
Lucy Sousa - A
necessidade da certificação do analista já estava prevista na Instrução CVM 388,
mas o entendimento foi reforçado este ano. A Apimec, a partir de entendimentos
com a ANATT (Associação dos Analistas Técnicos), desenvolveu certificação
específica CNPI-T, incluindo um exame específico, chamado CT, que será oferecido
a partir de setembro. O candidato à certificação CNPI-T deverá ser aprovado no
CT e no CB (Conteúdo Brasileiro), este último exame também aplicado para a
obtenção do CNPI original, voltado para analistas fundamentalistas.
Qual
deve ser o conteúdo da prova para os analistas técnicos? Será baseada na
certificação da IFTA?
Construímos a versão preliminar do conteúdo
programático do CT a partir da análise dos conteúdos das certificações CMT
(Chartered Market Technician) e IFTA (International Federation of Technical
Analysts). Colocamos em audiência pública e obtivemos uma versão final com
conteúdo comum e de consenso.
Em sua opinião, haverá uma alta demanda
pelo certificado?
Existem muitos profissionais fazendo análise técnica,
mas não temos informações confiáveis sobre seu número. Alguns já estão prestando
o exame CB.
O certificado será obrigatório para aqueles que trabalham em
corretoras e também para os grafistas que divulgam suas análises em blogs, sites
ou chats?
O certificado será obrigatório para todos aqueles que
distribuírem analise gráfica publicamente, não importa o canal. Daremos
prioridade aos que trabalham nas corretoras, pois estes pertencem diretamente ao
sistema de distribuição, estando sob supervisão da CVM.
Como fica o caso
dos analistas que exercem a função há muito tempo? Deverão fazer a
prova?
Todos deverão fazer a prova.
As novas regras devem reduzir
a demora no ingresso de profissionais certificados no mercado?
Com exame
específico (CT) não há desculpas para não ser certificado.
A Apimec
planeja desenvolver cursos visando uma preparação melhor para a
certificação?
As regionais já estão oferecendo cursos de análise técnica.
Também faremos parcerias com escolas e consultorias especializadas no
assunto.
Qual é a perspectiva do órgão em relação à análise técnica para
os próximos anos?
Com o aumento dos profissionais certificados, a
qualidade das análises será fortalecida e haverá maior complementaridade e
diálogo entre as abordagens fundamentalista e técnica.
Curso em São
Paulo
No mês de setembro, a Apimec São Paulo realizará um curso sobre análise
gráfica, que será ministrado por Leandro Martins, responsável pelo departamento
de análise técnica da Técnica Assessoria de Mercado de Capitais.
No
programa do curso estão os temas: Introdução à Bolsa de Valores, Análise
Fundamentalista x Análise gráfica, premissas, os gráficos, escala, zoom,
periodicidade, teoria de Dow, tendências, pivot, suporte e resistência, pullback
e suas variações, linhas de tendência e sua angulação, figuras, gap, volume,
entre outros.