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Estagflação versus hiperinflação
 
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Paul Krugman

Estou chegando ao debate com algum atraso, mas Mike Kinsley publicou um curioso artigo no The Atlantic  no qual ele confessa seu pavor em relação à inflação futura, mesmo sem que haja indícios desse problema no mundo real. Ele não está sozinho: há muitas vozes prevendo uma hiperinflação iminente em 2009, ou melhor, 2010 (sim, eu estou acompanhando a questão).

Entretanto, o que quero comentar é o seguinte trecho da análise de Kinsley:

A hiperinflação ocorre quando a inflação alimenta a si mesma e foge ao controle. É possível ter uma inflação estável de 2% ou 3%. Mas é impossível uma inflação estável de 10%. Quando todos supõem uma inflação de 10%, todas as forças que produziram 10% avançam para 20%, e depois 40%, e em pouco tempo as pessoas se veem empurrando carrinhos de mão cheios de dinheiro, como nas famosas fotos da Alemanha de Weimar.

Bem, isso não está correto - ao menos, não de acordo com a ciência econômica tradicional, que estabelece uma distinção entre o tipo de inflação que atormentou a década de 1970 e a inflação do tipo visto em 1923 (ou recentemente no Zimbábue).

A hiperinflação é na verdade um fenômeno bem compreendido, e suas causas não são motivo de grande controvérsia entre os economistas. Trata-se basicamente de uma questão de renda: quando o governo não consegue aumentar os impostos nem captar empréstimos para pagar seus gastos, ele às vezes recorre à máquina de dinheiro, tentando obter renda a partir da criação de moeda. Isso leva à inflação, o que faz com que as pessoas tentem se livrar de suas economias, o que significa que as máquinas da casa da moeda passam a funcionar mais rápido para comprar a mesma quantidade de recursos, e assim por diante.

O tipo de inflação que tivemos na década de 1970, a famosa era da estagflação - uma alta inflação combinada a um alto desemprego -, era consideravelmente diferente. O problema não estava nos déficits - na verdade, os déficits americanos foram muito menores na inflacionária década de 1970 do que durante a desinflação dos anos 1980. Em vez disso, o que tínhamos era uma combinação entre políticas monetárias excessivamente expansionistas, com base numa visão irreal de até que ponto o desemprego poderia ser reduzido sem provocar uma inflação acelerada (a NAIRU, taxa mínima de desemprego condizente com uma inflação estável), e choques do petróleo que levaram a uma alta generalizada na inflação, graças às cláusulas associadas ao custo de vida amplamente difundidas nos contratos. Nunca houve o risco de hiperinflação; a única pergunta era se estaríamos dispostos a pagar o preço da redução da inflação em termos de um alto desemprego, e quando o faríamos.

Kinsley parece estar confundindo a lógica do desemprego estrutural, segundo a qual a estimativa de inflação é incorporada ao processo de definição dos preços, de modo que se torna necessária uma inflação em aceleração para manter o desemprego abaixo da NAIRU, com a lógica da hiperinflação, bastante distinta, que trata do problema das pessoas fugindo do dinheiro.

Enquanto isso, para aqueles que preveem uma hiperinflação, minha pergunta seria: qual é o aspecto dos Estados Unidos que parece diferir da situação japonesa de, digamos, 2000? Grandes déficits orçamentários e um alto endividamento? Estão presentes. Uma imensa expansão na base monetária? Aí está ela. E, ainda assim, o deflator PIB do Japão recuou

Publicado no Estado de S.Paulo - Economia & Negócios em 18 de março de 2010



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