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Números do PIB indicam menor benefício na alta dos juros
 
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A economia cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010, em relação ao primeiro trimestre de 2009, e avançou 11,2%, na taxa anualizada - ou seja, se a expansão de 2,7%, registrada na comparação com o trimestre anterior, se repetisse por quatro trimestres. É, sim, um crescimento chinês. Mas um crescimento chinês das fases de contenção, não dos picos de expansão. Como a economia brasileira não é a chinesa, melhor seria dizer que o crescimento do primeiro trimestre é um crescimento que não se via por aqui há pelo menos uns 40 anos, desde os dos tempos do "milagre econômico".

De todo modo, isso é passado. Serve como referência para o presente e ajuda a projetar o futuro, mas não é suficiente para resolver o problema do momento. O problema do momento é saber em que velocidade a economia vai correr daqui para a frente e quais as condições para que a corrida não provoque fricções inflacionárias acima do controlável.

No primeiro trimestre, a economia brasileira retornou aos níveis pré-crise global. Estamos, desse ponto de vista, em setembro de 2008, num ambiente de novas crises globais, mas de outra natureza, e já sabendo um pouco melhor como o Brasil entra nessa história. De volta para o futuro, sabemos também o que aconteceu com a capacidade de produção - aquele conjunto de condições da oferta que permite à demanda avançar sem fricções inflacionárias indesejáveis. Se a demanda cresceu forte, a oferta também está crescendo.

A apuração do IBGE informa que, enquanto a economia andou de lado em 2009, o investimento em aumento da capacidade de produção deu um salto forte. A formação bruta de capital fixo (FBCF), que registra o valor da produção de máquinas e equipamentos, bem como dos recursos aplicados na construção civil, avançou mais de 26%, em relação ao primeiro trimestre de 2009.

Foi a maior expansão desde que a atual série de dados começou a ser registrada, em 1995. O montante da FBCF em relação ao PIB, definido como a taxa de investimento, equivalia, no primeiro trimestre de 2010, a 18%, a mais alta desde 2001.

Está claro que, nem mesmo com essa expansão forte, a oferta interna seria capaz de aguentar o tranco de uma demanda avançando a 11% ao ano. Os sinais mais recentes parecem dizer que esse ritmo de crescimento afrouxou, mas não desabou. A tendência visível é de uma acomodação em níveis elevados, talvez entre 7% e 8%. Ainda se tenha indicações de que a expansão dos investimentos continua firme, não dá para despreocupar.

Mas, com a capacidade de produção em alta e a demanda em acomodação, a trajetória das duas curvas passa a ser mais de convergência do que de distanciamento explosivo. O resumo da coisa é que, se a distância entre oferta e demanda existe, ela é menor do que há um ano, mesmo com o ritmo acelerado de crescimento da demanda. E, com a ajuda da oferta externa, via importações, támbém em alta, embora limitada pelos déficits comerciais crescentes com o exterior, pode ficar ainda menor.

A moral da história é que a relação custo-benefício de altas dos juros básicos, mesmo mantendo-se positiva, se tornou mais estreita. Tudo considerado, ficou mais complicada a decisão de frear o crescimento - e afetar, negativamente, as vantagens sociais que isso costuma trazer - para evitar um descontrole inflacionário que talvez não seja tão descontrolado assim.

Por José Paulo Kupfer

 
 
 
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