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O que mata os dinossauros
 
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Há 65 milhões de anos, um cometa ou meteoro gigante teria caído sobre a Terra e produzido uma das maiores catástrofes do planeta, segundo nos diz uma hipótese levantada por cientistas. Nosso mundo foi, então, coberto por espessas nuvens de dióxido de carbono e outros gases, numa espécie de inverno nuclear. A mudança climática radical daí decorrente exterminou não apenas os dinossauros, mas dezenas ou centenas de outras espécies, em todo o planeta.

Grandes empresas, verdadeiros ícones do século 20 desapareceram diante um fenômeno semelhante: exatamente por não se adaptarem aos novos paradigmas, às novas condições do mercado e da tecnologia. Os exemplos são muitos, mas falemos apenas de dois: a RCA e a AT&T.

Líder mundial do mercado de componentes eletrônicos, durante o período 1915-1950, a RCA desapareceu do cenário norte-americano e mundial porque subestimou a revolução do transistor, atrasou seu ingresso no mundo da microeletrônica e acabou sendo superada pelos concorrentes japoneses, muito mais ágeis.

Décadas depois, chegou a vez da AT&T. Mesmo sendo dona dos Laboratórios Bell - do qual saíram 11 ganhadores do Prêmio Nobel e onde nasceram inventos tão importantes quanto o transistor, as centrais digitais, o sistema operacional Unix, o laser e o celular - a gigantesca empresa não foi capaz de adaptar-se na velocidade adequada ao novo mundo da competição, da desregulamentação das telecomunicações, do celular e da internet.

Assim, aconteceu o que ninguém previa: a velha AT&T morreu. Reestruturada duas vezes depois de 1984, a AT&T estava à beira da insolvência, em 2005, quando foi incorporada pela Southwestern Bell Communications, (SBC). Por outras palavras, foi adquirida por uma Baby Bell, nascida de sua divisão de seu desmembramento em 1982. Daí nasceu a Nova AT&T, que de sua antecessora só tem o nome, pois sua antiga razão social designa hoje a fusão da SBC com a BellSouth, além da operadora de celular Cingular e Yellow Pages Comm. (YP-Com).

 Nenhuma outra empresa no mundo das comunicações tinha mais experiência, prestígio e tradição do que a gigante AT&T, que, aliás, havia sido incorporada e consolidada nos anos 1880, pelo inventor do telefone, Alexander Graham Bell. Chegou a ter mais de 1 milhão de empregados, 3 milhões de acionistas e a controlar um terço dos telefones do mundo em 1982.  

A morte dos dinossauros

O maior risco para as corporações é a mudança de paradigmas, em especial, as maiores. Um dos melhores exemplos do impacto dos novos paradigmas foi a passagem do mundo analógico para o digital. Maior revolução tecnológica do século 20, a digitalização das comunicações e da eletrônica em geral afetou profundamente a vida das empresas, ao mudar seu modo de produzir, de comercializar ou de comunicar-se com o mercado.

Com a digitalização, tudo passa a ser convertido em bits - voz, dados, textos, gráficos, vídeo, imagens - unificando a linguagem do computador e das comunicações. Eis aí a raiz da convergência digital, que funde serviços e tecnologias. Laptops e celulares tornam-se, então, capazes de processar e transmitir conteúdos de bilhões de bits, como e-mails, fotos, músicas MP3 ou programas de computador. Tudo por preços cada dia menores. É essa mudança radical de padrões que ameaça a sobrevivência das empresas tradicionais, as megaempresas, gigantescas, que são, sob muitos aspectos, semelhantes aos antigos dinossauros, vítimas das profundas mudanças climáticas.

A tecnologia não para

Mesmo diante do desmoronamento de gigantes, a revolução continua. Assim tem sido com a microeletrônica, que pode reunir bilhões de transistores numa pastilha de silício, a partir de componentes cada dia menores, mais rápidos e baratos - ou, na expressão consagrada internacionalmente, smaller, faster, cheaper.

Assim foi com o fim da bolha da internet, que devastou a indústria eletrônica e de telecomunicações, mas não significou a paralisação ou reversão das grandes tendências de globalização, de convergência digital e de aceleração da competitividade, num processo inexorável que abre mercados tradicionalmente fechados e elimina distâncias.

Embora tenha criado quase os avanços revolucionários da eletrônica moderna, a AT&T falhou porque não foi capaz de transformá-los em grandes negócios, com a velocidade adequada, no tempo certo. Mais do que aproveitar para sua própria transformação as inovações produzidas nos Laboratórios Bell, a AT&T foi superada empresas muito mais ágeis - como a Intel, Texas Instruments, Sony, IBM ou Motorola.

O celular e a internet, no entanto, mataram a gigantesca empresa de telecomunicações. Diante do ambiente de liberalização de mercados e de evolução tecnológica acelerada, a AT&T não conseguiu se adaptar ao novo mundo, não reinventou seu modelo de negócio, não mudou sua cultura pouco flexível e cristalizada por mais de um século de monopólio.

Aprendamos a lição

Reflitamos, leitor, nas profundas mudanças por que passam a economia, a indústria, a vida social. Mas prestemos muito mais atenção nas causas dessas transformações.

 Convido-o, também, a refletir sobre as grandes lições que decorrem dos novos paradigmas. Com eles, o mundo das comunicações, da eletrônica de entretenimento e da tecnologia da informação está mudando radicalmente:

 1) De analógico para digital

 2) De físico para virtual;

 3) De átomos a bits;

 4) De serviços fixos a móveis;

 5) De serviços coletivos a pessoais;

 6) De serviços unidirecionais a interativos;

 7) De banda estreita a banda larga;

 8) De baixa a alta velocidade de transmissão;

 9) De equipamentos dedicados a multifuncionais;

10) De comunicação por fio a sem fio (wireless)

11) De monopólio a competição;

12) De regulação rígida a regulação flexível;

13) De propriedade estatal a propriedade privada;

14) De protocolos fechados a protocolos abertos;

15) De comutação de circuitos a comutação de pacotes.

E o foco de prioridades muda:

a) De competição para colaboração;

b) De força e tamanho para agilidade e flexibilidade;

c) De governo e empresa para o cidadão;

d) De produtor para o consumidor;

e) De fidelização pelo preço para fidelização pela satisfação;

g) De crescimento econômico para qualidade de vida;

h) De valores econômicos para valores ambientais;

i) De software proprietário para software livre;

j) De burocracia para governo eletrônico (como, por ex. urna eletrônica e universalização da banda larga)

k) Da riqueza para o consumo, para a busca da paz e da preservação da natureza;

l) Dos métodos repressivos para a Educação.

E os próximos 15 anos?

Prepare-se para viver num mundo em que de 2010 a 2025. Não há dúvida de que assistiremos a mudanças profundas nas comunicações. Eis algumas delas:

i) Fim do jornalismo impresso;

ii) Fim da TV aberta e ascensão da Televisão sobre protocolo IP (IPTV), tanto grátis quanto paga;

iii) Triunfo da TV3D e dos home-theaters com projeção de grandes dimensões (lâmpadas LED).

iv) Universalização da Internet 3.0;

v) Expansão mundial da mobilidade e das comunicações pessoais, inclusive com uso intenso de serviços de localização (sucessores do GPS, Galileo e outros).

vi) Triunfo dos servidores domésticos (para música, fotos, dados, vídeo, software, controles da casa digita);

vii) Fusão de educação e entretenimento;

viii) Realidade virtual, com viagens incríveis e a emergência do turismo virtual;

ix) Predomínio dos super jogos eletrônicos em 3D via web;

x) Evolução das comunicações do estágio homem-homem (HH), para a comunicação homem-máquina (HM) e, principalmente,  para a comunicação máquina-máquina (MM);

xi) Uso intensivo da internet para entretenimento, inclusive em âmbito internacional;

Se você deseja viver mais 15 anos, este é, talvez, o cenário de profundas mudanças que o espera. Prepare-se para enfrentar todos os desafios desse novo mundo. E saiba: gostemos ou não, é melhor estarmos preparados para esse amanhã.


Ethevaldo Siqueira
 
 
 
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