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Abrindo os olhos para a poupança chinesa
 
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Quando o assunto é a economia, a China aparece, entre nós, como um paradigma a ser perseguido. Sua estonteante taxa de poupança, estimada em 50% do PIB é, desculpem o trocadilho, desejo de consumo de muitos economistas.

Alguns relacionam, positivamente, o ovo da elevada poupança chinesa com a galinha das péssimas condições sociais vigentes na China - ausência de redes públicas de proteção previdenciária, de saúde e de educação, além do baixíssimo salário mínimo. Para eles, a inexistência de coberturas sociais públicas, tão "generosas" no Brasil da Constituição de 1988, são virtudes do modelo chinês intensivo em poupança.

Só que, para variar, quase todos que cultuam essas "virtudes" contam da missa a metade. Querem ficar com o bônus sem incorrer no ônus do sistema econômico chinês, que propicia a tão invejada taxa de poupança.

A que se deve, realmente, a acumulação de poupanças tão fabulosas? Barry Eichengreen, o reputado economista da Universidade da Califórnia (Berkeley), dá umas boas pistas, em artigo reproduzido no domingo, 27 de junho, no caderno de Economia do Estadão. O texto procura explicar por que a China não valorizará o yuan ou o fará com paciência chinesa, mas, de quebra, mostra como a China forma a sua famosa poupança.

O quadro traçado por Eichengreen é o seguinte:

"Os gastos com consumo mal correspondem a um terço da receita nacional (.). As empresas estatais são extremamente lucrativas e não sofrem grandes pressões para pagar dividendos. O subdesenvolvimento do mercado financeiro impede que as pessoas tomem dinheiro emprestado para educação e assistência médica (.). Os baixos salários pagos pelas indústrias limitam o poder aquisitivo dos trabalhadores".

É nesse ambiente que a poupança se forma na China. Quase a metade provém das grandes estatais que dominam setores-chave - refino de petróleo, siderurgia, transporte e comunicação -, sem enfrentar, por conta de regras de restrição ao ingresso, concorrência interna ou externa.

Resumindo a conversa, a receita da extraordinária taxa de poupança chinesa começa com baixos salários e obstáculos de acesso ao mercado de consumo, passa por um cada um por si no âmbito da proteção social e termina com monopólios estatais, mantidos por força de reservas absolutas de mercado, possibilitando a obtenção de enormes lucros não distribuídos.

Vamos nessa?

 * * *  

 Há ainda inúmeras peculiaridades, que tornam o caso chinês, singular e não replicável. Um deles, dos mais curiosos, é o estímulo à poupança com o objetivo de garantir . um dote de casamento.

Intrigado com os mistérios da economia chinesa, tenho mantido uma correspondência para mim bastante elucidativa com minha amiga e colega Claudia Trevisan, correspondente do Estadão em Pequim, uma das melhores jornalistas que conheço. Faz um tempo, Claudia me enviou o seguinte relato, que fala por si mesmo:

"O economista Shang-Jing Wei, professor da Universidade de Columbia, apresentou mais uma teoria para explicar o que é o mais alto índice de poupança do mundo: a feroz concorrência por uma mulher. O controle de natalidade aliado à histórica preferência por filhos homens levou a um desequilíbrio de gênero na população chinesa, que tem muito mais homens do que mulheres. O censo de 2000 indicava que já havia 40 milhões de homens "sobrando" no país. Isso significa que muitos deles não conseguirão se casar.

De acordo com Shang-Jing, o desequilíbrio faz com que as famílias com filhos homens poupem mais para aumentar as chances de seus descendentes no mercado matrimonial, por meio da compra de imóveis e do oferecimento de "dotes" para as famílias das noivas. Os números levantados pelo economista mostram que o índice de poupança é maior nas famílias que têm filhos homens e cresce ainda mais nas regiões onde o desequilíbrio de gênero é mais acentuado".


Por José Paulo Kupfer/Estadão
 
 
 
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