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Quem vencerá a guerra do 4G?
 
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Duas tecnologias disputam o futuro das telecomunicações sem fio de quarta geração (4G). É sobre elas que vamos  falar aqui. Mais do que uma evolução da telefonia celular, a 4G deverá ser uma nova revolução em todas as formas de comunicação, com a integração de todas as redes, muito maior mobilidade, velocidades ultra-elevadas e aplicações hoje impensáveis. Vamos debater esse assunto aqui com todos os que tiverem alguma contribuição a dar sobre o tema.

Uma questão essencial que deve ser nosso ponto de partida é o fato de o mundo ter se transformado em uma imensa plataforma IP (o protocolo da internet). Esse protocolo é, na realidade, uma espécie de linguagem comum a todas as novas formas de serviços baseados na internet e em novas redes de transmissão de dados.

Por isso, seria melhor chamarmos essas transformações rumo ao celular 4G de "comunicações de quarta geração". Que significa essa denominação? A 4G que o mundo desenvolve, com grande dificuldade, representa a grande revolução que apenas começamos a viver com a convergência de serviços, a integração e a unificação de meios e sistemas. Vejam o exemplo seguinte, de uma experiência de usuário altamente qualificado:

"Recentemente tive que viajar para o exterior e instalei em meu netbook um software que o transformou num ramal do PABX virtual de minha empresa. Pude, durante toda a viagem, sempre que conectado a uma rede de banda larga, fazer ligações externas como se estivesse sentado em meu escritório, tarifando as ligações, os DDDs e os DDIs diretamente para a empresa, embora estivesse a milhares de quilômetros de distância."

Quem conta essa experiência é o consultor José Luis Frauendorf, em artigo recente, no site Telesintese (http://www.telesintese.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=13741&Itemid=43).

E complementa seu depoimento com detallhes surpreendentes: "Eu podia mudar os canais, aumentar e diminuir o volume de meu televisor, em meu apartamento em São Paulo, mesmo estando em outro continente, porque me mantinha conectado via banda larga com minha TV a cabo".

Exatamente como eu, o consultor imagina quantos problemas as operadoras de telefonia convencional deverão enfrentar em breve. O fato novo e mais significativo na evolução atual das comunicações é que a quarta geração do celular (4G) ultrapassa largamente o mero aumento da banda e da velocidade das transmissões. E demonstra que, também nessa área, estamos vivendo uma dramática mudança de paradigmas, com a integração de redes proporcionada pelo uso do protocolo da internet, o protocolo IP.

O grande desafio da digitalização do celular começou, a rigor, com a passagem do celular 2G para o 3G, diante do aumento crescente da necessidade de conectividade e informações online pelos usuários. Entretanto, para atender a essa demanda, os provedores e a indústria não estavam diante de um único desafio, mas de vários, como redes mais rápidas, novos equipamentos e novos terminais, ou seja, de novos celulares "que mais parecem minúsculos computadores, verdadeiras máquinas que vão muito além da função inicial do telefone, que é a comunicação oral" - na comparação de Erasmo Rojas, diretor da 3G Americas para América Latina e Caribe.

Esperamos mais do 3G

É preciso reconhecer, também, que o lançamento do celular 3G gerou expectativas que não foram atendidas no prazo nem no nível de qualidade inicialmente esperados por provedores e usuários. A terceira geração do celular, que foi lançada comercialmente no Japão em 2001, só agora, quase 10 anos depois, começa a expandir-se de forma expressiva pelo mundo.

É inegável que o celular 3G já ocupa uma fatia expressiva de mercado e permite a seus usuários uma ampla gama de serviços, que vai da simples checagem de e-mails à realização de operações em bancos e pagamentos de contas e compras, graças às faixas mais largas de espectro disponível, quer dizer, de mais espaço para a transmissão de voz e dados.

Mas ainda lhe faltam maior confiabilidade, estabilidade, velocidade efetiva e outros itens de qualidade dos serviços. É verdade, também, que muitos percalços e desafios tiveram que ser superados, nos últimos anos. Para os otimistas, no entanto, o importante é que, num sentido ideal, a indústria e as operadoras se preparam para um mundo perfeitamente conectado. E todos os erros e contratempos têm ajudado e ainda deverão ajudar a indústria e as operadoras a aperfeiçoar a tecnologia.

Como chegar à quarta geração (4G) nesse ritmo? A estratégia mais recente é a da LTE (sigla do inglês Long Term Evolution), ou Evolução de Longo Prazo, que propõe a conquista de velocidades crescentes, de 7,2 Mbps, a 14,4 e outros degraus até 50 ou 100 Mbps.

Nunca o nome de uma tecnologia foi tão adequado ao ritmo de sua maturação: Evolução de Longo Prazo. O mundo está acreditando, mesmo, que esse prazo será muito longo.

O desafio do WiMAX

O que parece provocar a reação dos defensores da LTE é o advento de uma nova tecnologia: o WiMAX (sigla de Worldwide Interoperability for Microwave Access), ou Interoperabilidade Mundial para Acesso por Micro-ondas. O WiMAX amadureceu antes do conceito da LTE e do início do processo de transição 3G-4G.

O maior desafio à LTE é a entrada em cena de uma nova tecnologia, nascida já com o protocolo IP e utilizando a modulação OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplex) que assegura robustez de sinal muito maior para as transmissões de dados de alta velocidade. Mais importante do que isso é o fato de ter conseguido atrair a atenção do mundo com demonstrações práticas de seus avanços.

Mas que é, a rigor, WiMAX? É uma tecnologia de banda larga sem-fio capaz de atuar como alternativa a tecnologias como as versões atuais de Linha Digital de Assinante (DSL- Digital Subscriber Line), de que são exemplos comerciais o Speedy, o Vírtua e o Ajato, que são chamados de ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), na construção de redes comunitárias e provimento de acesso de última milha. Nos testes de campo, o WiMAX tem alcance de até 50 quilômetros e uma velocidade superior a 70 Mbps.

O WiMAX atraiu primeiro grandes operadoras e, depois, de grandes indústrias. Assim, em 2001 algumas dessas empresas, entre as quais a AT&T, se aliaram para formular as especificações técnicas do novo sistema de transmissão de dados, com apoio no protocolo IP e na modulação OFDM. A partir daí, empresas de grande porte - como a Intel e Samsung - aliaram-se ao grupo inicial. Como resultado desse trabalho pioneiro, entravam em operações no mundo os primeiros sistemas comerciais WiMAX: em 2006, na Coréia do Sul, e em 2008, nos Estados Unidos.

Um dos fatores de sucesso do WiMAX está em sua eficiência na transmissão de dados. A entrada em operação dessas novas redes, tecnológica e economicamente mais eficientes, foi vista como uma ameaça aos investimentos feitos no 3G.

A reação da LTE

Depois de 9 anos de sua introdução no mundo, o 3G já dispunha em fevereiro de 2010 de 324 redes comerciais desse padrão em operação em 136 países. Não é pouco. Mas o mundo das telecomunicações sofreu dois grandes impactos negativos nesta década: a bolha internet-telecom do ano 2000 e a crise econômica mundial de 2008-2009. Talvez por isso a evolução da tecnologia tenha sido lenta. A reação ao WiMAX surgiu a partir de 2006, com o nome de Evolução de Longo Prazo (LTE, em inglês, Long Term Evolution).

Os gigantes fabricantes de celulares têm prometido velocidades crescentes, com o HSPA (High Speed Packet Access), tecnologia desenvolvida para assegurar o acesso a velocidades superiores, rumo à LTE. O grande problema para a LTE é sua lentidão em decolar. A rigor, quase nada acontece de concreto em sua implementação, há mais de três anos.

A guerra WiMAX vs. LTE

À primeira vista, essa guerra entre WiMAX e LTE parece não ter muito sentido para nós, usuários. Mas tem sentido, sim. Mais do que entender as filigranas tecnológicas dessa disputa entre os grupos defensores de cada uma das tecnologias, o que nos interessa é saber qual delas nos irá assegurar maiores benefícios e os melhores resultados.

Essas conclusões ainda não estão claras. Por isso, ainda não podemos tomar partido por uma ou por outra. Até os órgãos reguladores revelam sua perplexidade e se mostram indecisos quanto à posição que devem tomar diante desse conflito. Até porque precisam atribuir as frequências necessárias a cada um dos grupos em disputa.

O LTE tem sido a resposta das empresas tradicionalmente ligadas à tecnologia 3G do celular. Mas o WiMAX promete oferecer mais vantagens, por menores custos, aqui e agora. Por aí podemos imaginar o tamanho das pressões que se desencadeiam sobre os órgãos reguladores.

O que percebemos de maneira clara e insofismável é o terremoto que se abateu sobre indústria de equipamentos de telecomunicações - em especial dos grandes fabricantes de centrais digitais da década de 1990 - foi atingida de forma catastrófica não apenas pela bolha da internet e das telecomunicações do ano 2000, como, principalmente, pela mudança de paradigma representada pela hegemonia do protocolo IP.

Em lugar de centrais imensas e caras, as telecomunicações passaram a utilizar roteadores e outros equipamentos muito mais baratos, mais compactos e muito mais eficientes. A crise atingiu gigantes como Ericsson, Siemens, NEC, Nortel, Lucent, Alcatel e outras. Mudanças impensáveis há 10 anos ocorreram nesse mercado. A Alcatel absorveu a Lucent. A Nortel faliu. A NEC de hoje se transformou numa empresa de serviços. A Ericsson também busca ampliar seu espectro de serviços, seguindo os passos trilhados pela IBM ao longo dos últimos anos.

E o mais curioso é que a maioria das empresas tradicionalmente ligadas ao celular, que apoiam o LTE, também investem no desenvolvimento e nas promessas sedutoras do WiMAX.

No mundo 3G, o segmento de maior prosperidade é hoje, sem dúvida, o dos terminais, ou seja, dos telefones celulares ultra-avançados e dos smartphones, que atrai até empresas como a Apple e outras do setor de informática e de entretenimento. E consolidam o sucesso de fabricantes como Nokia, LG, Samsung e HP.

O novo cenário da guerra hoje parece concentrar-se na disputa de fatias cada vez maiores do espectro de frequências. Isso ocorre inclusive no Brasil de hoje, com a disputa pela faixa de 2,5 GHz, por exemplo, mobilizando os grupos representativos do WiMAX, de um lado, e do LTE (com as empresas mais ligadas à operação de celulares).


Por Ethevaldo Siqueira
 
 
 
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