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Lula, Sarkozy e o minério
 
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Em sua escala na Tanzânia ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma declaração muito estranha. "Nas próximas discussões do G-20, os país ricos vão querer tabelar os preços das commodities. Alguns eles já tabelam na bolsa de Chicago. Eles vão tentar criar confusão com os países pobres que tem minério".

Difícil de entender. Os preços das commodities negociadas em Chicago - como soja, trigo ou milho - mudam a cada minuto, ou quase a cada segundo. É uma característica das bolsas de mercadorias. Corretores colocam ordens de compra e venda e é a lei da oferta e da demanda que controla os preços. Praticamente o oposto de tabelar.

No mercado de minério de ferro, os preços eram negociados uma vez por ano entre mineradoras e siderúrgicas. Com a crise global, esse acerto foi rompido e a Vale passou a praticar reajustes trimestrais. Analistas acreditam que a tendência é que o minério siga as outras commodities e também seja cotado em bolsa no futuro.

Nesse contexto, as declarações do presidente brasileiro pareciam muito estranhas. Seria apenas uma patriotada? Uma reportagem do colega Sérgio Leo, publicada hoje no Valor, no entanto, joga um pouco de luz nessa história. O jornalista conta que, na última cúpula entre União Européia e América Latina em maio, Lula recebeu um aviso do francês Nicolas Sarkozy: os europeus querem monitorar os preços das commodities.

Sarkozy disse que essa vai ser uma das prioridades da presidência francesa do G-20 em 2011. Em visita a Rússia no mês passado, o mandatário francês voltou a falar que as commodities serão "prioridade", porque "esses mercados não são transparentes". "Não terá chegado a hora - não de controlar preços, isso é ridículo - mas de pensar em uma situação de regulamentação, transparência, mínima organização para commodities agrícolas e principais combustíveis fosséis?", perguntou Sarkozy aos russos, conforme a reportagem do Valor.

Ontem, em seu discurso na África, Lula incluiu o minério de ferro na história. A Vale e as siderúrgicas europeias vem travando uma forte queda de braço pelos preços do minério no pós-crise. Alguns meses atrás, a companhia brasileira entrou com uma representação contra as siderúrgicas na Comissão Europeia por prática de cartel. Os europeus reclamam dos reajustes da Vale e argumentam que podem prejudicar a já combalida recuperação econômica do continente.

Antes da crise global, os preços das commodities experimentaram um forte bolha que assustaram os países consumidores e despertaram temores em relação a segurança alimentar e energética. Com a turbulência, as cotações recuaram um pouco, mas logo voltaram a subir e estão sendo sustentadas pela forte demanda chinesa. É o apetite da China por matérias-primas para financiar seu desenvolvimento que está por trás da alta dos preços. Nada que possa se resolver com tabelamento.

O conteúdo político das declarações de Lula é evidente, mas os países emergentes devem, sim, se preocupar com as intenções das nações desenvolvidas.

Por Raquel Landim/Estadão
 
 
 
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