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Ninguém entende a armadilha de liquidez
 
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Ai, ai. Em um artigo bastante útil sobre as divergências no interior do Federal Reserve, Jon Hilsenrath diz o seguinte:

O Fed está mais equipado para solucionar determinados problemas econômicos do que outros. Como Bernanke observou em um discurso de 2002 que se tornou famoso, o Fed tem o poder de combater a deflação - ou a queda dos salários e dos preços - imprimindo dinheiro.

Entretanto, os instrumentos do banco não estão perfeitamente adequados para reduzir o desemprego, que é influenciado por uma série de fatores, entre eles a política fiscal, a regulamentação e a demanda global.

Queiram desculpar, mas isso está totalmente errado. Toda a questão está em saber se, com os juros próximos de zero, o Fed tem capacidade de aumentar a demanda agregada - e ponto final. Se ele pode aumentar a demanda agregada, pode combater tanto a deflação quanto o desemprego; se não, não.

De certo modo, o problema do discurso de Bernanke é que ele dava a entender que o aumento da demanda e o combate à deflação eram uma coisa muito fácil. O Fed pode imprimir dinheiro, e se você aumenta a oferta de alguma coisa, seu preço cairá - e fim da história.

Mas como tentei destacar há um bom tempo, essa história simples não se sustenta quando os juros a curto prazo estão perto de zero.

Podemos ver a coisa da seguinte maneira: quando o Fed realiza uma operação no mercado aberto, comprando títulos da dívida de curto prazo com dinheiro que acaba de imprimir, isso costuma afetar o juro de curto prazo porque títulos e dinheiro são substitutos imperfeitos: o dinheiro rende menos, mas tem a vantagem de ser alguma coisa que pode ser usada diretamente para fazer pagamentos, ou seja, tem maior liquidez.

Mas quando compramos tantos títulos da dívida e criamos tanto dinheiro que os juros se aproximam do zero, o público está saturado de liquidez; a partir daí, ele detém dinheiro simplesmente como reserva de valor, que não é diferente dos títulos - e portanto um perfeito substituto dos títulos. E, a este ponto, novas operações no mercado aberto não resultam em nada - apenas trocam um ativo de juro zero por outro, sem afetar coisa nenhuma.

Portanto, por que não esquecemos as operações de mercado aberto e simplesmente as jogamos fora? Bom, é preciso lembrar que a essa altura dinheiro vivo e títulos de curto prazo se equivalem. Portanto jogá-las fora corresponde a um corte único dos impostos. De fato, seria de esperar que as pessoas economizassem grande parte ou a maior parte do dinheiro decorrente desse corte de impostos - ou mesmo todo, a acreditar na equivalência ricardiana.

Em meu modelo simples de 1998, há apenas uma maneira de o Fed afetar a economia: prometendo imprimir mais dinheiro no futuro, quando os juros próximos do zero não terão mais efeito.

Na prática, as coisas são mais complicadas, porque os títulos de longo prazo não são substitutos perfeitos dos de curto prazo - portanto o Fed pode influir mais comprando títulos com vencimento a prazo mais longo. Mas eu sempre achei que Ben exagerava na eficácia dessas aquisições. Vale a pena observar que, no tal discurso, a proposta mais ou menos específica de Bernanke era que se estabelecesse um teto para os rendimentos dos títulos de dois anos. O que isso realizaria hoje, quando até o rendimento de dois anos é de apenas 0,67%?

Em todo caso, voltando ao ponto original: é deprimente perceber que, quando já estamos vivendo há dois anos numa economia que incorreu na armadilha de liquidez, o Wall Street Journal ainda parece não compreender o motivo pelo qual o juro próximo de zero constitui um problema.

Por Paul Krugman/ Estadão
 
 
 
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