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Dilma e a economia - primeiras escaramuças
 
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Ainda que não se deva nunca deixar de levar em conta a possibilidade de uma virada eleitoral, a disparada da candidata petista Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência autoriza os esforços já em curso no sentido de revelar as políticas econômicas que adotará, se eleita, no início de seu governo.  Seria assim com qualquer outro candidato na mesma situação.

Às primeiras revelações, no entanto, seguiram-se desmentidos e semi-desmentidos. De modo que, no pântano que se estabeleceu, restaram, neste primeiro momento, mais especulações do que diretrizes nítidas. Tais especulações estão girando em torno do caráter e da intensidade do pretenso ajuste fiscal em discussão nas hostes dilmistas.

A própria candidata, minimizou - sem, contudo, se comprometer ipsis litteris com o seu contrário - a necessidade de um forte ajuste fiscal, referido pelo ex-ministro Antonio Palocci, coordenador da campanha de Dilma, em entrevista à colega Patrícia Campos Melo, no caderno especial "Desafios do novo presidente - a economia do novo governo", publicado na segunda-feira. Mas como há gente informada e habituada às escaramuças de campanha convicta de que Dilma falou o que disse, em parte contradizendo Palocci, visando ao público interno, melhor esperar para ver como fica.

* * *

São muitos - e facilmente identificáveis - aqueles que compartilham da visão de Palocci sobre a necessidade mais urgente de um ajuste fiscal e que, como ele, não se preocupam com a trajetória dos déficits nas contas externas. Como não é esse exatamente o meu caso, me chamou mais a atenção a revelação do ex-ministro Antonio Palocci de que, no governo, Dilma promoveria uma redução no centro da meta de inflação.

Não se trata, a rigor, de uma novidade. A hipótese foi aludida pela própria Dilma, em maio, quando ela participou de um seminário com empresários americanos e investidores de Wall Street, em Nova York. Mas é preciso dar um belo desconto na coisa, pois, afinal, é da natureza dos candidatos declarar e prometer aquilo que suas platéias específicas querem ouvir.

Tem, de todo modo, umas estranhezas no anúncio de Palocci. Começa que, se a regra vigente for mantida, este é um assunto para meados de 2011 e aplicação a partir de 2013. O centro da meta de 2011 e 2012 já está fixado, mantendo-se em 4,5%, como ocorre desde 2005. Por essa regra, em junho de 2011, o Conselho Monetário Nacional deverá estabelecer a meta e o intervalo da banda (atualmente dois pontos para cima ou para baixo do centro) de dois anos à frente.

Tudo bem que um novo governo pode mudar a regra. Isso já aconteceu quando Lula assumiu em 2003. O centro da meta que ele herdou era de 3,25%, mas, em fevereiro, diante da puxada do dólar e da inflação eventos ocorridos no último ano de FHC, acabou alterada, já em fevereiro, para 8,5% naquele ano e para 5,5%, no ano seguinte, 2004.

Além da larga diferença entre o ambiente econômico do governo que começava em 2003 e o que vai ter início em 2011, há outros pontos que não batem bem com o eventualmente precoce anúncio de redução da meta de inflação. Um deles diz respeito às desconfianças em relação ao atual sistema de metas, aplicado, explícita ou implicitamente, mundo afora

 Não aqui em Pindorama, onde os novos debates da economia costumam chegar com um atraso digno das nossas companhias aéreas, mas em outras praças do centro econômico global, o sistema de metas está na berlinda. E a ideia de cortar metas de inflação como mecanismo exclusivo de indução a uma redução de juros básicos anda, digamos, fragilizada.Na verdade, até a exclusividade da taxa de juros como ferramenta única de controle monetário se encontra sob suspeição.

Nos ambientes em que a discussão econômica é original e não sofre de colonização tardia, estão descobrindo que os índices de inflação usados como baliza para as metas não captam corretamente a formação de bolhas de preços. Os índices convencionais, de fato, deixam de fora o movimento de preços essenciais, caso dos ativos financeiros e imobiliários.

Foi o que, justamente, ocorreu no período em que se formou a crise de 2008. Enquanto os bancos centrais mantinham o controle bem comportados índices de preços de bens e serviços, com a política convencional de controle monetário via taxa de juros, vulcões financeiros e imobiliários se preparavam para entrar em erupção.

No caso brasileiro, em relação ao sistema de metas de inflação, existe ainda um agravante. A desindexação promovida pelo Plano Real não foi completa e, hoje, cerca de um terço do IPCA, índice de preço ao consumidor que serve de baliza para as metas, deriva de preços administrados e indexados. Para estes, a ação da política monetária, via taxa de juros, se não é inócua tem efeito muito retardado. Essa peculiaridade brasileira acaba exigindo juros básicos mais altos para compensar, na perseguição da meta, aquele 30% que escapa ao controle. Se acrescentarmos as grossas incertezas ainda dominantes no cenário econômico externo, falar em reduzir metas de inflação soa mesmo esquisito.

Batido no liquidificador das hipóteses, a vitamina que sai dessas primeiras escaramuças do que virá a ser a política econômica de Dilma é a de que ainda se está longe da fase de definição. O que há é discurso e o de Palocci, inclusive e sobretudo com o aceno da redução das metas de inflação, é um talvez desnecessário "telegrama aos brasileiros" endereçado muito mais ao mercado financeiro.


Por: José Paulo Kupfer/ Estadão
 
 
 
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