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Desafios do pré-sal
 
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Difícil falar dos impactos da descoberta de uma recordista jazida de petróleo, na camada pré-sal do litoral brasileiro, a dois dias de uma eleição para a presidência, cuja campanha foi marcada por enorme tensão, sem correr o risco de ser acusado de fazer o jogo de um ou de outro candidato. Ainda mais quando a exploração do pré-sal e os destinos da Petrobras estão no centro da disputa.

Há quem considere que o timing do anúncio das novas e espetaculares reservas foi escolhido a dedo para beneficiar a campanha da candidata oficial - uma ação, portanto, por todas as razões, condenável. Mas há também os que consideram que as fortes oscilações registradas na cotação dos papéis da Petrobras nos últimos pregões da Bolsa indicariam a existência de indícios de vazamento de informações - situação em que a divulgação imediata do fato em torno do qual se dava o movimento especulativo é praticamente compulsório.

Se fosse possível retirar toda a carga político-eleitoral do anúncio, às vésperas do segundo turno, da descoberta de uma área com potencial equivalente ao dobro do maior campo até agora conhecido (o de Tupi, com estimativa de 8 bilhões de barris), ainda assim restariam pilhas de questões a serem desatadas. Os desafios de transformar a riqueza mineral acomodada a seis ou sete quilômetros de profundidade em riqueza econômica e social vão muito mais longe.

Alguns desses desafios se destacam. Já escrevi sobre isso e vou resumir. Primeiro, tem o desafio tecnológico. Depois, o da gestão da cadeia produtiva do petróleo. E, finalmente, mas não por último, o desafio de aplicar da melhor maneira econômica e social o resultado da superação dos outros desafios.

Mencionando a mim mesmo. "A Petrobras tem capacitação para explorar o pré-sal, mas a prova do pudim será a própria exploração. A empresa tem de superar o desafio de reunir condições para iniciar a exploração no menor tempo possível, a custos compatíveis e com os menores impactos ambientes possíveis. Não significa que terá de explorar rápido - essa é uma decisão estratégica -, mas, sim, estar pronta para isso."

No caso da cadeia de produção, a Petrobras tem de reunir condições de gestão para disseminar seus pesados investimentos com o maior conteúdo nacional possível, em tempo hábil e, também aqui, a custos compatíveis. A cadeia de produção de petróleo já responde por quase 10% do PIB brasileiro e só o plano de investimentos da Petrobras, se a taxa nacional de investimento permanecer em 18% do PIB, equivalerá a 15% de tudo o que for investido, nos próximos anos, no País.

Mas o desafio mais crítico a superar não são esses. Selecionar corretamente as prioridades para a aplicação dos recursos obtidos com a exploração do pré-sal e geri-los com foco e eficácia, para evitar perdas e desperdícios, eis o desafio mais importante, o ponto mais crítico e essencial de toda essa história.

O que muitos podem achar ser o fim do jogo, na verdade, é apenas o começo. Se tropeçar em qualquer desses desafios, o governo, seja qual for, desperdiçará a fantástica oportunidade que se abre ou, no mínimo, gastará muito mais para alcançar com atraso o objetivo e, provavelmente, não na sua plenitude.

Desperdiçar, por afoiteza, interesses obscuros ou sectarismo político o que a natureza e a fortuna colocaram ao alcance dos brasileiros seria imperdoável.


Por José Paulo Kupfer/Estadão
 
 
 
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